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Partido Verde - RJ


Debates

Omissão e negligência na Alerj

André Esteves

22/06/2010 - 14:22

Quando se pensa sobre as funções de um deputado, a primeira idéia que vem à cabeça é a figura de um legislador. Alguém que atue em favor da população, por meio da formulação de leis que tenham por objetivo aperfeiçoar questões relevantes da sociedade. Este é o cenário ideal, mas é bem diferente daquele que observamos na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Uma reportagem do jornal O Globo do último domingo (20/06/2010) apresenta uma Casa Legislativa composta por deputados que legislam muito pouco, e que passam boa parte do tempo em plenário prestando homenagens desnecessárias. Nesta atual legislatura (2007-2010), das 23.020 proposições apresentadas, 55% foram moções de aplauso, congratulações e projetos de resolução, como a entrega de medalhas. Os projetos de lei se resumiram a 14% do total da produção da Alerj. Do total dos projetos de lei (3.243), cerca de 20% abordam temas de pouca relevância, como a denominação de colégios e ruas e a criação de datas comemorativas.

Com a grande maioria dos deputados na base de apoio do governo Sérgio Cabral, o Poder Executivo exerce uma enorme influência na Alerj, e tomou da Assembléia a função de legislar. Os próprios deputados admitem que os projetos do Executivo são votados em caráter de urgência, enquanto as propostas dos parlamentares enfrentam um caminho mais demorado. Mas esta dificuldade não pode servir de desculpa para a ausência de temas relevantes na pauta da Alerj.

Boas iniciativas, como a CPI das Milícias, que resultou na prisão de diversas pessoas envolvidas com o crime organizado, precisam ser mais freqüentes. Para isso, a Alerj precisa urgentemente de pessoas qualificadas para ocuparem um cargo no Poder Legislativo.

Mais importante do que escolher o nome de uma rua, seria, por exemplo, criar um mecanismo para punir os deputados que faltam ao trabalho por estarem empenhados na própria reeleição. Cerca de 90% dos deputados vão tentar um novo mandato. Se a Alerj fosse uma empresa, os parlamentares que não trabalham – vale destacar que não são todos – seriam demitidos por justa causa. Depois de quatro anos de inércia no cargo, não é possível que eles mereçam uma nova chance dos eleitores.

3 Comentários

  1. Camila Rodrigues - 23/07/2010 - 23:03
    Ótima proposta Marcos, seria um grande começo , entretanto acrescentaria a sua proposta um esquema de fiscalização permanente dos legislados, observando o aproveitamento de cada membro, como é feito em qualquer instituição séria , afinal o Estado também é uma empresa e conseguinte deve cobrar e respeitar na mesma intensidade os direitos e deveres de seus trabalhadores - de qualquer nível econômico e social -
    Saudações verdes!
  2. Elieber Eson - 03/07/2010 - 12:46
    Neste momento DECISIVO os espaços podres existentes no meio público e político devem, por excelência serem ocupados; tomados por ações limpas práticas, eliminando a Distorção a Improbidade que tem impedido o desenvolvimento humano.
  3. Marcos Prieto - 30/06/2010 - 15:31
    Andre, sua indignação é compreenssível e deveria contaminar o restante da sociedade. Enquanto isso não acontece, venho aqui somar ao seu discurso com uma proposta: Os cargos eletivos, e ai me refiro a todos eles não só os legislativos, deveriam ser disputados por candidatos previamente habilitados através de concurso público com provas de conhecimentos gerais, específicos e titulações. Essa seria a primeira peneira. A segunda seria uma plataforma de curriculo político de acesso público e amplamente divulgado. Algo similar com o lattes. Nesta plataforma constaria, automaticamente, todos os atos oficiais do candidato. Um abraço.
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