Atropelamento na linha 4 (Artigo)
Paulo Messina - VEREADOR (PV) - Jornal do Brasil - 2/7/2009
11/08/2009 - 17:50
Ao aprovar, sem ampla discussão, a venda de mais de 70 terrenos do metro pelo governo do Estado em votação na ultima quarta, a Câmara feriu gravemente as regras do jogo democrático, revelando a fragilidade de sua autonomia diante a pressão ao poder executivo. Decidido a levantar dinheiro para a construção da linha 4 do metro através da negociação de tais terrenos públicos, Cabral deve ter ficado satisfeito ao ver a demanda da prefeitura aprovada.
Peço apenas que nos atenhamos ao grave cenário político deflagrado com todo o processo. Coerentes às atribuições que se esperam de legítimos representantes do povo, diversos vereadores elaboraram emendas ao projeto do executivo, após ouvirem associações de moradores ou visitarem as regiões em
questão.
Das 45 emendas sugeridas, no entanto, quase nenhuma foi negociada ou sequer apreciada pela prefeitura. O absurdo foi tamanho que o secretário Pedro Paulo (chefe da Casa C/W/jfoi convocado a se dirigir à câmara para negociar di-retamente com os vereadores e ouvir os atgtmientos pelas emendas. Durante cerca de duas horas, os parlamentares falaram sobre suas preocupações e apresentaram alternativas. A postura adotada pelo secretário, especialmente diante de uma proposta do vereador Alfredo Sirkis (PV), no entanto, deixou clara a impossibilidade de negociação perante a nítida subordinação do prefeito ao governador.
Sirkis explicava ao secretário sua proposta de transferir a UPA de Botofogo para o outro lado da praça Nelson Mandela, dando lugar a uma revitalização da citada praça através da iniciativa privada. Como resposta, Pedro Paulo se limitou a dizer que não seria feito porque o governador não o queria, isso dito assim, exatamente com essas palavras. Reitero que não haveria para
isso custo algum à prefeitora ou ao estado do Rio de Janeiro! Convicto da vitória, entretanto, o secretário foi categórico ao demonstrar seu desprezo pela negociação: "Vamos
Eara o voto". Frase que serviu tam-ém para fechar os olhos à emenda do vereador Cario Caiado sobre o Batalhão de Copacabana, na Siqueira Campos, e o posto de saúde, quando ficou claro que o governador estaria disposto a passar por cima de tudo, inclusive da segurança e da saúde do carioca, pela venda dos terrenos.
Para agravar a situação, após estudar o projeto, descobri que havia pelo menos dois terrenos que somam valorização, de forma sorrateira, por alteração de gabarito, um em Botafogo e outro em Copacabana. Só este último, por exemplo, passava de cinco para sete andares — uma valorização de mais de 10 milhões de reais. Questionei qual seria o destino de td quantia, não prevista no projeto, mas fiii, assim como todos os demais com a mesma dúvida, atropelado. O projeto foi aprovado por 37 a 7.