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Debates

A hipótese Marina.

Alfredo Sirkis - Folha de São Paulo - 9 de agosto

11/08/2009 - 18:17

É compreensível que a possibilidade de uma candidatura da senadora e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva cause, por um lado, entusiasmo e excitação e, por outro, preocupação. Milhões de brasileiros sensíveis à causa ecologista, à sustentabilidade ambiental e social de nosso modelo econômico, aos destinos do planeta ameaçado pelo aquecimento global, à devastação de nossos ecossistemas e à qualidade de vida nas nossas cidades, vivem na expectativa de dispor de uma voz própria, eloqüente, na campanha presidencial, até agora, arena exclusiva dos defensores do desenvolvimentismo clássico dos anos 60. Por outro lado, entende-se que haja políticos inquietos, cada qual fazendo seu cálculos: afinal uma eventual candidatura da Marina me ajuda ou atrapalha? Quanto ajuda? Quanto atrapalha? Bombardear? Não bombardear? É curioso que as reações políticas e a maioria das análises jornalísticas gravitem a volta desses cálculos pragmáticos enquanto escamoteiam o essencial: Marina representa idéias e aspirações hoje compartilhadas por milhões de brasileiros. Não será legítimo e até importante para a democracia brasileira que elas estejam representadas em uma eleição de dois turnos?

Numa dimensão minimalista teríamos uma campanha altamente instrutiva e educativa, não apenas naquele discurso clássico, defensivista, do ambientalismo: deter a destruição da Amazônia e de sua biodiversidade, a constribuição das suas queimadas em emissões de CO2, etc... mas também na didática daquilo que as vertentes hegemônicas do desenvolvimentismo clássico não conseguem perceber: o futuro econômico e social do Brasil, hoje, depende de mergulharmos de cabeça numa economia verde! Nenhum outro país está tão bem posicionado para atrair investimentos para um eco-desenvolvimento muito embora insistamos em monoculturas, na devastação da biodiversidade para estender mais e mais a fronteira pecuária, em subsidiar veículos poluentes e emissores de carbono, em novas termoelétricas a carvão e novas rodovias no coração da floresta.

No entanto, Marina tem um potencial além do eloqüente discurso de primeiro turno para depois arrancar compromissos programáticos. Pode contribuir para a superação dessa abissal fenda da política brasileira: a compulsória aliança das duas vertentes da social democracia com as oligarquias políticas na busca da governabilidade. PT e PSDB disputam, como lucidamente notou em certa ocasião o ex-presidente Fernando Henrique, “quem vai liderar o atraso”. No instável sistema político-institucional produto do nosso “voto jabuticaba”, proporcional personalizado, ambos dependem do clientelismo e fisiologismo profissional para governar. Melhor fariam em aliar-se, em algum momento, mas como a disputa central se dá entre eles, isso dificilmente acontecerá e a rivalidade é feroz.

Nós, verdes, nos relacionamos com ambos, reconhecemos o papel que respectivamente tiveram nos inegáveis avanços economicos e sociais vividos pelo Brasil deste de 94. Marina é bem talhada para promover uma nova governabilidade com ambas vertentes que, enfim, supere essa polarização bizarra, isole o atraso e abra caminho para uma reforma do nosso sistema eleitoral secando sua dependência do clientelismo, do fisiologismo e do assistencialismo, fontes maiores da corrupção, do excesso de cargos comissionados, do mau uso da máquina pública e da compra de votos, direta ou via centros assistenciais.

O direito de ter um sonho de país e lutar para tirá-lo do papel é inalienável. Os verdes não abrem mão dele mas também reconhecem que transcende suas limitadas fileiras. Nesse momento é impossível saber, de fato, se Marina será ou não candidata. É uma decisão difícil, de fé íntima, que há que se aguardar. O caminho político, no entanto, é claro: não é anti-PT. Nossa fraternidade, muito particularmente com o PT do Acre, remonta a Chico Mendes. Também não é anti-tucanos. Certamente não é anti-Lula embora não possamos abrir mão de criticar sua postura frequentemente atrasada e deseducativa na questão ambiental. Pode, eventualmente, vir a ser pós-Lula...

8 Comentários

  1. ROBERT BARBOZA - 09/12/2009 - 22:26
    Eu acredito em Marina Silva e no PV do Rio de janeiro,a sustentabilidade e principalmente a causa ambientalista precisa de voz e tenho a certeza que nesta proxima eleiçâo marcaremos ainda mais nossa posição de credores do meio ambiente Brasileiro,sendo assim vamos em frente com esta candidatura independente do uso da maquina o povo esta cada vez mais consciente que precisamos mudar e fincar os verdadeiros valores de uma sociedade justa e perfeita
  2. Maria Aparecida de A. Silva - 30/09/2009 - 23:02
    Precisamos de pessoas sérias para comandar esse pais,acredito que a senadora Marina Silva , tem as qualidades que o povo já desalentado espera para comandar esse país.Seriedade , compromisso não só com as causas ambientais mas com um desenvolvimento não agressivo, mas efetivo do povo.
  3. Raíza Viana Barboza Nunes - 23/09/2009 - 19:28
    Acredito que o futuro do país está na mão daqueles que defendem a causa ambiental, como uma causa essencial para o desenvolvimento do Brasil; já que este é um país de inigualável riqueza ambiental, com grande potencial a ser explorado (desde que de forma inteligente e consciente) em favor de todos os cidadãos, que na minha opinião devem despreender-se de costumes arcaicos delapidadores da natureza, e se voltarem para uma nova chance,um recomeço, que só será possível, se voltarmos para o interior de nossas raízes (literalmente)..
  4. EUNICE BEZERRA DE BARROS - 19/09/2009 - 20:23
    EUNICE BARROS-20:21
    EU ESTOU APAIXONADA COMO A MUITO TEMPO,NÃO ME SINTO COM UMA CANIDATURA TÃO SERIA E JUSTA,AINDA NÃO ME FILIEI AO PARTIDO ,POIS ESPERO UMA POSTURA DE TRABALHO MAIS CLARA.
  5. Luis Eduardo Fonseca Faria - 30/08/2009 - 17:06
    Estou com Celso Oliveira, estou me filiando ao Partido por acreditar na candidatura da Marina. Agora sim pintou a futura presidente do Brasil...
  6. CELSO OLIVEIRA - 25/08/2009 - 07:23
    ACREDITO MUITO NA CANDIDATURA DA SENADORA MARINA, ESTOU ME FILIANDO AO PV E PRETENDO TRABALHAR NA PRÓXIMA CAMPANHA E, PORTANTO, ME PERMITO SUGERIR QUE A SENADORA MUDE SUA FORMA DE SE EXPRESSAR, UTILIZANDO UMA LINGUAGEM MAIS PRÓXIMA DO POVO. CREIO QUE MUITAS DAS VEZES A UTILIZAÇÃO EXPRESSÕES MUITO POUCO USADAS COMPROMETE SEU DISCURSO PARA A GRANDE MAIORIA DA POPULAÇÃO. RESUMINDO: DAQUI POR DIANTE, MARINA SILVA DEVE SER MAIS SERINGUEIRA E MENOS SENADORA.
  7. THIAGO DA SILVA CARREIRO - 18/08/2009 - 09:33
    A candidatura da Sen. Marina Silva é muito viável, pois além de nos dar uma opção de comprometimento com a defesa da Floresta Amazônica abre um campo muito grande para discussões sérias sobre aquecimento global e o desenvolvimento brasileiro na área ecológica q hoje se encontra muito atrasado. Nascendo assim no coração de cada brasileiro a esperança de um governo mais sério, ético e de melhorias para o povo. Com a apresentação de projetos bons q não foram a frente com a saida da senadora do Ministério do meio ambiente.
    Marina Silva 2010 um projeto viavel!!
    EU APOIO!!!
  8. MAURO ESCOVEDO - 13/08/2009 - 00:03
    A candidatura da Sen. Marina Silva à Presidência da República pelo PV, é perfeitamente viável para promover uma efetiva mudança no rumo das eleições.
    E, para muitos que pensam que ela somente servirá para enfraquecer a candidata do PT, estão enganados.
    A despeito de que a Senadora não disponha de muita visibilidade política no cenário nacional, a menos daqueles que militam e defendem as causas ambientalistas, ela pode perfeitamente absorver os votos daqueles que, mais uma vez, se vêem traídos por um líder que teve tudo nas mãos para se consolidar definitivamente como um político imbatível, haja vista a sua popularidade, e se deixou inebriar pelo brilho do poder.
    A Sen. Marina Silva é um verdadeiro exemplo de luta, superação de dificuldades, discrição, respeito e respaldo.
    O êxito de sua candidatura, pelo PV, poderá ser coroada de êxito, desde que o Partido assuma uma postura que permaneça identificada com o meio ambiente, com a preservação de nossas riquezas naturais, mas que não insista em radicalizar somente nessa vertente.
    Será preciso que o PV, na sombra de um de seus mais importantes líderes, o Dep. Fernado Gabeira, reestruture-se para exibir ao povo uma maior identidade e familiaridade com uma série de problemas nacionais que estão a afligir o nosso povo tão sofrido, tão cansado, tão doente e tão sem educação.
    Será também uma grande oportunidade para que o PV encontre entre seus pares ou junto àqueles que se identifiquem com esse Projeto Marina 2010, a formação de uma melhor representatividade no Congresso Nacional, nos Governos Estaduais e nos Municípios do País.
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