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Partido Verde - RJ


Debates

O ovo da serpente

FERNANDO GABEIRA

09/11/2009 - 20:55

RIO DE JANEIRO - A violência no Rio é muito debatida quando há grandes fatos, crimes revoltantes. No entanto, muitas coisas acontecem numa quase surdina, e elas são o indício de que os tempos podem ser piores.

Há alguns meses, o site do jornal "O Dia" divulgou um vídeo da comemoração do aniversário de um traficante no Complexo do Alemão. Havia uma tal concentração de armas nas mãos dos participantes da festa que pareciam preparados para dominar uma boa parte da cidade. Fuzis pendurados no peito, o aniversário parecia um momento de descanso de um exército tropical e descamisado.

Aquilo passou. Afinal é preciso tocar as obras do PAC. Agora, no auge da crise do helicóptero abatido, surgiu uma outra despretensiosa notícia no jornal da rádio Bandeirantes: um potencial candidato a deputado foi assassinado em Rio das Pedras, região dominada pelas milícias. O corpo foi encontrado na Cidade de Deus, com perfurações de bala e sinais de tortura.

Às vezes, quando se dá a crise, a sensação que temos é que tudo vai mudar. O governo anuncia medidas, Brasília envia mais dinheiro e todos tentam dormir tranquilos.

O processo não para. Enquanto se discute se a pré-campanha presidencial está nos limites da lei, uma outra pré-campanha está em curso. Ela começa com a eliminação física de adversários. Tanto no Complexo do Alemão como em Rio das Pedras, os vínculos entre política e crime passam ao largo e, quando surgem acontecimentos espetaculares, parecem relâmpago em céu azul.

Todos esses fuzis e metralhadoras estarão diante de nós na campanha de 2010. Não é difícil saber a quem servem. O foco atual é o comércio de drogas. Mas, durante o período não eleitoral, esquecemos do comércio de votos, ao qual as armas servem com grande eficácia. Servem a quem?

1 Comentário

  1. Ivan Neves Junior - 16/01/2010 - 18:40
    Tenho um jovem conhecido morador de uma comunidade carente. Há realidades não confessas que os moradores podem relatar que não dá para imaginar. Iniciativas diversas oferecem cursos de pintura de artesanato e correlatos como medida de prevenção, isso é brincadeira, ele precisa de oportunidade real de obtenção de renda. É preciso que as oportunidades estejam disponíveis e adequadas ao grau de escolaridade fraco deste jovem. Eles precisam de um programa com diretrizes, metas e análise crítica.
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