"POR CONTA DO ABREU"
Paulo Giffoni
19/01/2010 - 19:04
O governador Sérgio Cabral tem razão quando atribui a tragédia de Ano Novo em Angra dos Reis ao desgoverno produzido pelo populismo e, mesmo, ao ceticismo de proprietários de terrenos quanto aos riscos de empreendimentos que afetem o meio-ambiente.
Nessa crítica de Cabral, feita em tom de desabafo e no calor da batalha, dois aspectos se destacam: a inoperância fiscalizadora do Estado (ou tolerância com infratores); e a velha transferência da responsabilidade para quem veio antes – a tal da herança maldita.
Fiquemos com o primeiro caso, que guarda mais sentido objetivo. Em seu último ano do atual mandato, o governador talvez não tenha se dado conta de que incluiu-se entre os gestores , no mínimo, distantes da questão ambiental em Angra.
Cabral se apossa de um discurso de oposição como se não fosse ele o governador (onde mesmo já vimos isso?).
"Essa Conta não é Minha"
A secretária Marilene Ramos disse que a legislação anterior limitava ampliações a 50% da construção existente, desde que não ultrapassasse 20% do terreno. "Essa regra acabou ensejando a falsificação de documentos sobre o tamanho. Por isso, reduzimos a área edificada a 10%." Referindo-se ao decreto como "famigerado", ela afirmou que o ato não trata de áreas de risco e encostas. "Queremos seguir com o licenciamento das construções que já existem, o que não é o caso da Sankay nem do Morro da Carioca. Misturar as duas coisas é de um oportunismo nefasto."O diretor de Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, informou que uma reunião ontem definiu que o decreto não será revogado, mas substituído por um plano de manejo, que será debatido e terá áreas definidas por critérios ambientais e de risco.